Porque o Nigiri é um lixo de restaurante. (Nigiri BH = lixo) (Nigiri BH sucks), entendeu Google?

Eu poderia arrumar doze mil, quatrocentos e setenta e nove palavrões para descrever este patético restaurante japonês.

Antes que eu comece a receber de volta toda esta mágoa, todo o ódio que tenho no coração, devo ressaltar que meus argumentos são puramente técnicos, objetivos e baseados na minha vasta experiência em… comer. Em pagar para comer. Em frequentar lugares que são feitos para, além de um indireto entretenimento, alimentar pessoas que pagam para uma porção de comida, geralmente feita por profissionais e, especialmente, servida por profissionais.

Está na palavra profissionais minha primeira discordância em classificar este recinto como restaurante. Profissionais são pessoas que, ao receber determinado pagamento, prestam algum serviço, criam valor através de produção ou auxiliam alguma empresa a produzir algo ou algum serviço. Vamos ilustrar meus genéricos comentários:

CENA 1) Cheguei ao restaurante, num sábado, às 21:00 (entenda-se: horário de pico) e o mesmo encontrava-se, como diria a previsão do tempo: parcialmente vazio. Sentei-me à mesa e, após pedir o menu e a explicação de como funciona o sistema da casa, o indivíduo que deveria ser o garçom me entrega dois papeis de cores diferentes com a seguinte frase: “tem essas opções, se uma pessoa pedir diferente, não pode comer da outra”. Aaaaaaaaah, começamos a entender a raiva aqui, não é? Vamos dar um replay nas frases: “Como funciona o sistema da casa?” – resposta: “tem essas opções” (QUAIS?) (OS PAPEIS?) (EU TENHO QUE LER, VOCÊ NÃO PODE FALAR?) (É UMA CHARADA?) “…se uma pessoa pedir diferente (DO QUÊ?), não pode comer da outra (CARA$@ˆ, WTF?) sabe quando vc vai no bandejão da faculdade e pode pegar uma carne? Lá a comida custa R$ 1, tá ligado? E na facu vc tem que passar um pouco de aperto mesmo…

CENA 2) Após os pedidos das bebidas, passados 15 minutos, chegam à mesa uma cerveja e uma imagem pálida e inerte do que seria uma caipivodca de morango. (não era pra mim, juro). Vamos lá: pergunta: “essa caipi tá meio “clarinha” demais, não?” (pra quem achou a pergunta meio dúbia, a tradução seria: “essa po@#$ tem morango ou você só colocou vodca, provavelmente barata?”  – resposta (esperta, confesso): “você nem provou, pq está reclamando?” Uuuuuuuuuuuh…. uma provocação, adoro isso… leve sabor de desafio no ar, a certeza absoluta no serviço do barman. Bem, dez segundos depois, foi devidamente constatado que é impossível fazer uma caipimorango com 1 morango. Para a defesa do restaurante, peço uma mudança internacional no nome para caipimorangos, para deixar bem clara a necessidade do plural uso das frutas.

CENA 3) Já vou começar direto agora: “- a caipi realmente está ruim”. “- qual o problema dela?” (PAUSA – qual o problema DELE? ninguém mais sabe respeitar a regra do Cliente aqui? Eu tenho que preencher algum formulário para contestar a qualidade visivelmente fraudulenta da albina caipimorango?) segue: “- está forte e não tem gosto de morango” e resposta: “-humpfff” (ninguém esperava outra coisa, né?)

CENA 4) Diálogo:

“- aqui está, coloquei mais água e gelo”

Para com isso. Sério. Olha a frase anterior: “está forte e não tem gosto de morango”

Eu juro que eu fiz este mesmo diálogo com duas pessoas, diferentes e parcialmente isentas, mas que não conheciam a resposta, nem o causo. Minha prima de quatro anos respondeu: “coloca morango, uai” (ela é mineira, linda de morrer). Meu cachorro de dois anos, por sua vez, me olhou com desprezo e latiu pedindo um desafio maior, como dar a pata ou sentar.

Algumas pessoas aqui do blog me conhecem pessoalmente. Sou uma pessoa de hábitos pacatos e gentil no trato pessoal. Sou conhecido pela minha cordialidade ao lidar com adversidades e tenho facilidade em fazer amizades, eu diria que acima da média. Minha resposta para o cavalo do garçom, esse imbecil, idiota e com problemas cognitivos foi uma risada impassível e uma única frase: “pode devolver e por favor peça nossa conta”.

CENA 5) (achou que acabava?). Pessoas idiotas tem dificuldade em perceber suas burrices, tenho provas práticas disso. O garçom, ao ser contrariado pelo cancelamento do pedido do Cliente, sentiu-se no dever cívico de defender sua instituição: “mas eu já pedi a comida ao sushiman” como se fosse um desafio, uma proibição. Juro que ele falou isso como quem falasse: “o senhor não pode dirigir sem carteira de habilitação”. Eu, educado e ainda impassível, respondi a ele, na minha delicadeza britânica: “- foda-se. quero a conta.” Aaaaaaaah, agora sim eu perdi totalmente a razão e fiz ele provar sua certeza ao duvidar de tão mal-educados clientes. E ele saiu.

CENA 6) E ele saiu, disse eu no último parágrafo. Ao se encontrar com um amigo garçom, seu fellow de longa data, no meio do caminho, tratou de explicar a situação que se sucedia na mesa do canto. Eu estava a cinco metros de distância, o equivalente à meio restaurante, e ouvi claramente: “porra, cara fresco e mal-educado, tá sacaneando meu trabalho”

Sacaneando seu trabalho, meu amigo? Eu vou sacanear é com seu restaurante. Porque mais imbecil que você, sem estúpido acéfalo, é o idiota que te contratou e que te mantém trabalhando. Porque alguém com a alcunha de gerente de um restaurante em que a comida é servida por cavalos, deve ser muito burro. Deve nada, é. Então já que eu fiz essa sacanagem com você num sábado a noite, que tal espalhar essa “sacanagem” na internet pra todo mundo saber o lixo que esse restaurante é?

Para os curiosos de plantão, voyeurs de merda alheia, obviamente me levantei da mesa, questionei o ato do garçom (que por$% é essa, meu irmão, tá achando que sou moleque?), perguntei sobre o seu grau de lucidez (você tá louco? tá louco é?) e questionei a profissão de sua mãe, sua avó e sua irmã.

Juro que escrevi este post vários meses depois do ocorrido e ainda senti raiva, ódio e etc. Lembre-me do fato, novamente, após dois amigos meus terem sido mal atendidos no Nigiri (rua Vitório Marçola, 43 – Anchieta) para não deixar dúvida. Infelizmente esses pobres amigos escaparam do meu discurso tenebroso na noite seguinte do ocorrido. Creio ter falado da minha experiência do Nigiri para, aproximadamente, 200 pessoas em BH, Rio e SP. Agora queria contar para os …. bem, no ano passado o blog teve 11,000 visitas.

A única coisa que espero com a aspereza dos meus comentários é que nenhum de vocês que está lendo isso, nunca, tenha a desagradável experiência que tive. O Nigiri é o pior restaurante que já fui na minha vida.

A “Cheap List” da NY Magazine

Todos os anos, a NY Magazine faz uma lista de restaurantes baratos e excelentes pra vc comer. Seria uma ótima ideia termos uma lista desses aqui no Brasil, concordam? Segue um “temperinho” da reportagem e o link completo:

It’s tough out there in this ever-evolving cheap-eats universe. One day it’s Lanzhou hand-pulled noodles, the next Hackensack sliders. You never know exactly where things stand. Are burgers really over? How about fried chicken? Where can I find a grilled pimiento-cheese sandwich? Or a serviceable stroopwafel? Is there such a thing as a good bowl of vegetarian ramen? What is the going rate for artisanal pizza these days? Are cake balls the new cupcakes? What is the Chinese flavor of the month? Can a locavore be a cheapavore? And are restaurateurs who traffic in small plates out to get you? In this, our annual Underground Gourmet guide to all that is brand spanking new and good to eat—and, if not downright dirt cheap, then certainly moderately priced, fiscally prudent, or at least won’t leave you feeling like you’ve been snookered—we tackle those burning questions and more. We also track the increasingly ubiquitous meatball movement, revealing the top new orbs, and take a very close look at the nascent miniature-food craze. We scout out the best meals on wheels. And we talked four discerning chefs, whose palates we admire, into revealing their secret cheap-eats haunts in their own neighborhoods. Finally, we answer what is for many the most burning question of all: What’s for dessert?

continue em: http://nymag.com/restaurants/cheapeats/2010/67146/

Trinta motivos pra comemorar os meus trinta no Rio

Pior coisa do mundo é fazer trinta anos. É o momento onde vc deixa de ser uma pessoa nova, sob todos os aspectos, e passa a ser totalmente adulto, ou seja: um saco. Pra comemorar minha entrada no mundo adulto (eu realmente esperei até o último minuto), decidi rascunhar sobre os motivos gastronômicos que podem me deixar feliz em passá-los na cidade maravilhosa. Algo assim:

1) O omelete com brie do Cafeína: o ovo é o alimento mais injustiçado de todos os tempos. Gostoso, saudável, prático e versátil, tornou-se alvo fácil de empresas de cereais sem graça que queriam mais espaço no café-da-manhã. No Cafeína, o omelete com brie vem no ponto certo pra fazer vc começar muito bem o seu dia.

2) Totivendo (qualquer um) do Chico e Alaíde: quem nunca foi no C&A não entende a alma butequeira carioca. O Chico, pessoa extremamente simpática, comanda um dos bares mais movimentados do Leblon ao lado da Alaíde e cia. que fazem do seu escondidinho uma obra prima dos petiscos. Imperdível.

3) Drink Mekong, do Mekong: imagine uma bebida que te deixa … inebriado com uma dose. O gosto é diferente de tudo que vc já provou em matéria de drinks. Mesmo tendo lichia no seu preparo, não é girlie, pelo contrário, o Mekong é potente o suficiente pra vc pedir um refrigerante na hora que a comida chega.

4) Todas as picanhas do mundo no Porcão Rio’s: sinceramente, eu nunca acreditei que iria num rodízio para comer exclusivamente picanha. Vc pode fazer isso no Porcão. A vista do Pão de Açúcar, a cara de assustado dos turistas japoneses, nada isso é tão marcante como a ponta de picanha do Porcão. Faça amizade com o garçom e exija só o melhor quando chegar!

5) As surpresas da Roberta Sudbrack: eu ia falar da lichia recheada com foie gras, ou das sobremesas simplesmente deliciosas, ou da simpatia da chef mais antenada do Brasil… então melhor falar de tudo e lembrar que o Rio tem, sim, uma opção internacional de menu degustação.

6) A empada de camarão do Belmonte: fartura. essa é a palavra que define os petiscos do Belmonte. Acompanhe um bom atendimento e chopps consistentemente gelados.

7) O couvert do Plataforma: não quero ser acusado de ser pão-duro, mas várias vezes desejei ir ao Plata só pra comer o couvert. Pão de queijo, patê, torradas, linguiça… vale o ingresso!

8 ) Biscoito Globo no Posto 11: como deixar de falar do mais carioca dos quitutes industrializados? E como achar lugar melhor pra comer biscoito Globo que não na praia?

9) Comer de tudo no Venga!: eu sugiro o aspargos molhado no ovo (again) com flor de sal. Tem gente que gosta do polvo, outros gostam da sobremesa de chocolate com azeite (!)… então coma tudo, sempre acompanhado das excelentes sangrias (também sugiro provar todas).

10) Astoria com catchup e chips de bacon no Andy’s: num lugar onde todos os hot dogs serão os melhores que vc já comeu na vida, a minha escolha é o quase-tradicional Astoria, à moda antiga. De sobremesa peça o milk. De Ovomaltine, claro.

11) O sensacional sorvete de figo do Mil Frutas: se vc comia figo na infância, vai ter lembranças remotíssimas com esse sorvete, uma verdadeira perfeição gelada. Se vc não comia figo quando criança, não teve infância, né?

12) Três horas de café-da-manhã na Escola do Pão: compre uma revista. Leia devagar. Coma tudo o que oferecerem até não aguentar mais. Descanse com um suco de laranja fresco. E repita os primeiros passos quantas vezes for necessário.

13) Treze não é de azar… Financier do Vintage Café: adoro coisas simples muito boas. O financier do Vintage, em Botafogo, nem é de lá, é daqueles de saquinho, comprado de algum lugar simples. Simplesmente perfeito.

14) Galeto do CT Brasserie: Falar que o melhor prato de um dos restaurantes do Claude Troisgos é uma galinha desossada pode parecer falta de respeito. Longe disso, nesse prato o Claude chegou a uma combinação excelente, elegante, brrrassileirrra e deliciosa.

15) Tarde de exageros no Majórica: não importa o que vc coma, tudo no Majórica tem um gosto diferente. Aos 50 anos, mas em plena forma, o mais tradicional espanhol do Flamengo, e do Rio, evoca pensamentos imediatos de início de dieta para o dia seguinte.

16) Peking Duck do Mr. Lam: hummmmm… não se preocupe, não é pq o restaurante é o Eike Batista que vc tem que ser bilionário para comer lá. Só milionário… é caro sim, mas tem muita coisa que vale a pena e a grana no Mr. Lam e o peking duck é o melhor exemplo.

17) Queimar a língua no Sawasdee: escolha qualquer prato pelo índice de tempero no Sawas (para os íntimos). Todo o menu do excelente asiático da Dias Ferreira, no Leblon, tem gosto de Tailândia (é um gosto bom).

18) Ser mimado no Fasano Al Mare: a comida internacional do mais car… charmoso dos hoteis de Ipanema é apenas um dos sabores que vc prova nesse excepcional restaurante. A extensa carta de vinhos e o menu clássico são sempre acompanhados do melhor atendimento do mundo. E não tem sabor melhor que esse.

19) Suco de Coco e/ou Açaí no Bibi Sucos: eu tenho uns gostos meio exóticos, mas suco de coco não é nenhuma extravagância. A diferença é o astral da lanchonete mais famosa para antes e depois da praia do Leblon.

20) Bate papo com cerveja no Bracarense: se alguém descobrir o segredo do Braca (para os… tô brincando), me conta que eu abro um bar do mesmo jeito. Sempre cheio, só de conseguir uma mesa vc já se sente um vencedor.

21) Sentir-se na Itália no Gero: restaurante da famiglia Fasano, o Gero é – literalmente – uma caixinha de boas surpresas. O discretíssimo restaurante da Aníbal de Machado, em Ipanema, surpreende também com uma comida sensacional.

22) Descobrir os sabores do Olympe: mais um do Claude Troisgos, o Olympe é o “carro-chefe” da alta gastronomia do chef e impressiona do couvert ao café. Difícil não gostar de algo e igualmente difícil achar o restaurante, no charmoso Jardim Botânico.

23) Picadinho do almoço do Sebastiana Bistrô: depois de testar algumas fórmulas no almoço, o Sebá chegou a um ponto bom e tem uma mesa de buffet que parece almoço na casa da avó. Com pratos muito bem feitos, comemore se for dia de picadinho de carne, que acompanha perfeitamente a gostosa farofa e o clima de almoço caseiro.

24) Sushi do fim de tarde de domingo no Bar da Praia: vá à praia. Fique lá por no mínimo 4 horas. Saia e vá direto ao Bar da Praia e peça todos os sushis do mundo. O rodízio com poucas, mas muito bem feitas opções, tem também o melhor hot philadelphia da cidade.

25) Salada Caprese do Focaccia: esqueça tudo o que vc conhece de salada caprese. Uma burrata, tomates cereja, manjericão e uma bela apresentação para um clássico das dietas.

26) Ver o por-do-sol no Garota da Urca: acompanhado da cerveja gelada, com o visual mais cool de um bar “quase” de praia. Invariavelmente acompanhado de uma boa conversa com frequentadores do bar.

27) Experimentar no Sushi Leblon: pegue o cardápio do restaurante, após ter esperado quase duas horas na fila e peça qualquer coisa que vc não conhece. Garanto que funciona. Comida japonesa fica chata quando é muito repetitiva.

28) Bruschetta de Foie Gras da Prima Bruschetteria: vale. custa o dobro das outras bruschettas do lugar, simpático e quase sempre lotado restaurante do cantinho do Leblon, mas é uma obra-prima em matéria de bruschettas. Para acompanhar peça uma Colorado Cauim.

29) Rodízio de acompanhamentos da CT Boucherie: genial a ideia do CT em colocar os acompanhamentos para as excelentes opções de carne do lugar. Tipo rola um ratatouile que deve ser igual ao do filme, legumes e vários etcéteras deliciosos.

30) Por último, uma homenagem à boemia carioca: o sanduíche do Cervantes: quando cheguei no Rio, só saía do trabalho no horário que o único “restaurante” aberto era o Cervantes… pois bem, fiquei fã.

Ufa! Tem vários outros motivos pra comemorar no Rio, mas qual a graça de falar de todo mundo sem causar uma polêmica??

Quando o serviço é ruim, não adianta servir nem caviar de ouro

O post de hoje vai ser ácido e seco. E não vou falar de vinho.

Fui almoçar no Geisha Hi Tech de Botafogo, no Rio, na sexta-feira. Ambiente cool, grande expectativas. Queria ir na esteira, que justifica o “hi tech” do nome, mas por força das companhias (várias, da empresa ainda), fui de “rodízio”.

Por um preço razoavelmente acessível (R$ 60 per capita) você tem direito a um mundo de promessas japonesas. As opções do “menu”, com algumas limitações, pareciam bem interessantes e o primeiro “carregamento” surpreendeu a todos. Sushi bem feito, com um pouco de criatividade, pratos elegantemente servidos, enfim… surpreendeu a todos.

Uma vez bem servido, você começa a esperar mais do lugar, então pedimos outra vez, pratos ainda mais diferentes pra acabar de vez com as dúvidas. Então, 30 minutos depois… fui obrigado a chamar a gerente, após ter pedido 2 vezes ao garçom, para ser atendido. Para o espanto de todos, ela me entregou um pequeno papel e um lápis e, gentilmente (não mesmo), me pediu para preencher meu pedido (obviamente esquecido na primeira vez e ignorado pelo confuso garçom nas vezes seguintes). O misto de insatisfação e revolta (exagero) na mesa foi abafado pela falta de tempo para esperarmos mais 30 minutos, então pedimos a sobremesa que veio…. razoável. Na verdade, o harumaki de banana que comi estava sofrível, mas as outras opções estavam bem gostosas para um “brinde”.

Agora é a hora que falo das notas e faço uma conclusão do lugar, mas nesse dia específico o restaurante japonês nos trouxe nossos pratos (após 45 minutos) depois da sobremesa. Inacreditável! Não sou especialista em costumes orientais, mas tenho firmeza ao afirmar que nunca foi tradição nas ilhas nipônicas servir a comida após a sobremesa. As pessoas, com a boa vontade de não contribuir com o desperdício, comeram a contra-gosto e comida, claro, teve o gosto estranho de um peixe cru após um mousse de chocolate.

Serviço, meus caros, serviço. Restaurante não é lugar de comida só. Se fosse assim, não sairia de casa. Simplesmente lamentável.

Notas:

Ambiente: 3,5/5
Serviço: 1/5
Pratos: 3,5/5
Sobremesa: 2,5/5

Nota Final: 5,3 – abaixo da linha de perdão.

 Preço: $$$$ e ½ / 5

What about Nobu? É dos melhores de NYC

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Devido a pedidos insistentes, protestos públicos e ameaças anônimas, vou escrever sobre os restaurantes de “fora”, também conhecido como “gringos” em português. Durante muito tempo relutei em fazer isso, acreditando na boa vontade e capacidade dos milhares de cursos de inglês do Brasil (CCAA, Number One, Brasas, etc. etc.), mas li num site de blogs que é recomendável manter apenas uma língua como padrão. Como tenho preguiça de fazer duas versões do site (ainda), vou escrever na língua de 90% dos visitantes.

Signature Dish do Nobu

Voltando à vaca fria, quer dizer, ao sashimi cortado, eu tinha um certo desejo de conhecer o Nobu pessoalmente. Falo pessoalmente pq o restaurante que tem como sócio Robert de Niro é um dos mais falados dos EUA.

Com filiais ao redor do mundo, incluindo Londres, Cidade do Cabo e Melbourne, o restaurante aposta num menu sofisticado e principalmente no ambiente. Aliás, o ambiente do Nobu e sua clientela levantaram uma fama de pretencioso ao lugar. No livro da Danuza Leão, Fazendo as Malas, ela elogia o fato dos franceses terem torcido o nariz para a filial parisiense da rede, que já foi fechada. Discordo totalmente da famosa jornalista. Manter um restaurante fancy em Paris é tarefa das mais difíceis na complicada capital francesa, mas não é só pq um lugar tem um Buda gigante e clientes famosos que deve ser considerado pretencioso, pois o Nobu não o é.

Não ser pretencioso, explico, é oferecer uma experiência de gastronomia e entretenimento compatível com o preço (salgado, sim) do lugar. O Nobu tem estilo, a garçonete que nos atendeu na casa original em Tribeca, NYC, era sensacional. Eu pedia uma coisa, ela falava: “acho que vc não devia comer isso, vem pouco e não é tão especial, prove este prato aqui”. Ela acertou em todas as indicações, exceto pela sobremesa (um tal de Bento Box horrível).

A comida é muito boa, realmente. Os caras conseguem ousar no cardápio mantendo uma linha de conforto para os Clientes mais tradicionais. Todos os pratos eram muito bem decorados (decorar prato não é ser pretencioso, Danuza!) e a música ambiente podia até estar um pouco mais alta.

A região do restaurante também é um caso a parte. A Tribeca (significa Triangle Below Canal Street pra quem – como eu – não sabia) vem recebendo cada vez mais atenção e novos empreendimentos e está se transformando numa região muito gostosa da Big Apple. O próprio De Niro mora lá e investe muito na comunidade.

Pra quem gosta de ver e ser visto, comendo bem num lugar massa, o Nobu vale as verdinhas (não serão poucas) em New York. Quem conheceu o Nobu de algum outro lugar e tem uma história pra contar, deixe um comentário que eu aprovo ;-). É um lugar, como diria minha avó, metido a besta.

Notas:

Ambiente: 5/5
Serviço: 5/5
Pratos: 4/5
Sobremesa: 3/5

Nota Final: 8,5

 Preço: $$$$ e ½ / 5

Kojima, o japonês peruano pernambucano de Brasília

Tenho notado uma ligeira insistência minha em falar sobre restaurantes asiáticos e japoneses aqui no blog. Desde agosto já falei sobre o Mok Sakebar, Sushi Leblon, Nam Thai, Sawasdee e Manekineko do Rio. De New York já escrevi sobre o Buddakan e o Soto.

Shakemaki de nirá
Shakemaki de nirá

Apesar da quantidade, estava “passando batido” por Brasília, cidade com poucas opções na cozinha oriental, mas com algumas casas tradicionais, como o Nippon da Asa Sul. Resolvi então começar pelo novíssimo Kojima, já que é melhor indicar uma novidade que é sucesso há dez anos em Recife.

Fui no Kojima no dia seguinte à inauguração. A parede vermelha do segundo andar ainda cheirava a tinta e os garçons eram todos importados da capital pernambucana. Como já conhecia a casa de Recife, não tive grandes dificuldades em saber as especialidades no menu bem completo que eles oferecem. O Shakemaki de Nirá é um exemplo de comida excelente do lugar. Fiquei naturalmente decepcionado por não ter opção de comprar uma garrafa de sake e tive que pagar dolorosamente as 5 doses que tomei. Não sei se mudaram isso, como o garçom falou que fariam, mas deveriam.

As entradas são excelentes, bem servidas e servem ao propósito de incentivar o risco nos pratos principais. O Kojima não é lugar de sushi e sahimi, tem que arriscar. Pode escolher o Prato da Boa Lembrança que vai ser ótimo, já experimentei 2 diferentes. Na sobremesa, mais uma vez, não me inspirei muito e pela primeira vez vou reclamar de muita atenção no serviço: a preocupação pelo lançamento da casa fazia com que os garçons explicassem, orgulhosamente, cada coisa da casa, cada detalhe do prato. Iniciativa legal, mas não tive tempo pra conversar muito durante o jantar.

Banana com farofa na sobremesa
Banana com farofa na sobremesa

O Kojima vale a pena pq é algo diferente pra Brasília, sai do tradicional e não é extremamente caro. Ótimo concorrente pro Nippon e pro Original Shundi, as opções tradicionais da cidade.

Kojima Brasília
406 sul Bloco C Loja 13
Tel: +55 61 34430118

Notas:

Ambiente: 4/5
Serviço: 4/5
Pratos: 4/5
Sobremesa: 3/5

Nota Final: 7,5

 Preço: $$$$ / 5 – mais barato que o Shundi, mais caro que o Nippon

Menu degusta…sono no Mok Sakebar

Na última quarta-feira o Mok Sakebar promoveu uma noite para comemorar o Dia do Sake (que seria no dia seguinte) com o renomado chef  Shin Koike, do Aizomê de São Paulo. A agradável casa da Dias Ferreira não estava lotada na “sessão” mais concorrida da noite, que começava às 22 horas, sinal que o preço de R$ 220 por pessoa não tinha sido bem digerido (ou divulgado?) para o paladar do carioca.

Noite de Shin Koike no Mok Sakebar
Noite de Shin Koike no Mok Sakebar

O menu começou com uma beringela frita com missô doce, uma entrada neutra, que não causa nenhuma comoção. Passamos então para uma outra entrada de ostra à milanesa, que começou a mostrar as habilidades do chef, seguida do excelente Unagui e foie gras grelhado, que para mim foi o melhor prato da noite. Nesse momento já era servido o primeiro sake premium da noite, uma excelente opção.

Depois disso foram servidos dois sashimis, igualmente ricos e bem preparados, mas a falta de preparação da casa para receber um evento daquele porte já se fazia evidente. Recebemos o segundo prato de sashimi antes do primeiro, o que causou o desconforto de ter que cobrar o garçom (“sabe aquele prato da mesa ao lado? pois é, eu não recebi…”). O tempo de espera entre os pratos estava muito alto, cerca de 30 minutos entre cada prato que se tornavam uma eternidade quando havia algum problema adicional no serviço.

Ambiente legal no Mok Sakebar
Ambiente legal no Mok Sakebar

Vieram os dois pratos principais, um namorado confit em azeite perfumado (excepcional) e  uma costeleta de cordeiro que, infelizmente, seja pelo sono ou pela falta de vontade com o serviço, ficou muito abaixo da proposta da noite. Os sushis foram servidos à 1 da manhã, quando já “acumulávamos” 3 horas de menu degustação. O sake não filtrado final foi o ponto alto das bebidas, mesmo com todas as excelentes opções de drinks que a casa proporciona (parabéns ao barman)

Sakê não filtrado pra ficar acordado (foto exemplo)
Sakê não filtrado pra ficar acordado (foto exemplo)

Tive que pedir um café para acompanhar a sobremesa e saí do Mok quase às 2 da manhã. Na mesa ao lado um casal quase dormiu no final. Na mesa grande na minha frente algumas reclamações, principalmente porque tinham pessoas mais velhas, que provavelmente não tem o mesmo saco que eu para esperar 4 horas por uma refeição completa. Mais uma vez, a certeza que o bom serviço ajuda muito na boa vontade com o paladar.

Falando em serviço, lembrei de uma história que li num livro do João Havelange sobre as Olimpíadas de 36 em Berlim (sim, as do nazismo). No dia da final do atletismo, Hitler entregou as medalhas na primeira competição do dia e foi alertado pelos organizadores da competição que não deveria entregar as medalhas, ou teria que fazê-lo para todos os atletas. Ele então parou de comparecer ao pódio olímpico e o evento foi conhecido pelo mundo como um caso flagrante do racismo do ditador contra os vencedores negros americanos. A história de cima serve pra ilustrar uma impressão de um leigo: o chef Shin Koike passou e conversou com várias mesas no local e deve ter ficado sem tempo para falar com todo mundo, até pelos atrasos nos pratos, mas não ter falado com todas as mesas (não passavam de 15) gerou comentários nos “excluídos”, um fato que poderia ter sido evitado. Eu mesmo queria perguntar pra ele várias coisas sobre os ingredientes e saí sem as informações. Fatos da vida, vamos às notas:

Notas:

Ambiente: 4/5
Serviço: 2/5 – sorry, mates
Pratos: 4/5
Sobremesa: 3/5

Nota Final: 6,5 – não valeu o preço.

 Preço: $$$$½ / 5 – caro.