Saindo do lugar-comum na CT Boucherie

O Claude Troigos (www.twitter.com/C_Troisgos) é um dos chefs mais influentes na culinária brasileira. Hiperativo, ele conseguiu elevar a cozinha carioca com seus excelentes restaurantes Olympe, CT Brasserie, 66 Bistro e agora a CT Boucherie.

Faltava à Dias Ferreira, rua incansavelmente citada aqui no Hungrygoat, um ar mais sofisticado ou uma proposta mais ousada que fugisse ao tradicional papai-e-mamãe, quer dizer entrada-prato principal-sobremesa. Nada contra, mas faltava. A Boucherie é minúscula, tem pouco mais de uma dúzia de mesas bem no início da rua. Claro, vive cheia então recomendo chegar cedo / ter paciência / reservar.

A diferença que falei na comida é que a carne, estrela principal da casa, é servida com um bem-sacado rodízio de acompanhamentos. Rola um ratatouille que vai fazer muita gente entender a reação do Anton Ego no filme “homônimo” ou batatinhas espertas, purês deliciosos… enfim, tudo do bom e do melhor pra valorizar a sua carne-espetecular-que-vale-o-preço.

O atendimento da casa segue a linha exemplar de todas as outras da “família” (O Thomas, filho do Claude é o atual chef do 66 Bistrô e mantém exemplarmente a tradição dos “Troisgoses”). Ah! Eu li que teve gente que não gostou muito do atendimento lá e andou colocando isso em blog… bem, eu recomendo mais humildade… BTW, o twitter do Thomas é: www.twitter.com/ttroisgos

É engraçado como um restaurante de carne, onde a bovina (da vaca, mooo, sabe?) geralmente leva larga vantagem (na preferência dos Clientes), consiga ter um prato de frango (galinha, chicken) tão gostoso, mas eu já sabia dessa desde a galinha sensacional da CT Brasserie. As sobremesas também seguem a linha da gostosa casa do Fashion Mall, onde o mousse de chocolate na colher é protagonista que merece Oscar.

Fico feliz de ver gente competente como o Claude e o Thomas crescendo ainda mais no Brasil. Eles elevam nossa cozinha e povoam nossa imaginação e fome. O Rio merece muito mais restaurantes desse nível. Pra quem quiser saber mais sobre os restaurantes da série, anota ai:

Olympe: marrravilhoso – Rua Custódio Serrão, 62 – Jardim Botânico
66 Bistrô: excelente – Rua Alexandre Ferreira, 66 – Jardim Botânico
CT Brasserie: é o Pastis carioca – Fashion Mall, São Conrado
CT Boucherie: pobre Buenos Aires – Rua Dias Ferreira, 636

Notas:

Ambiente: 4 / 5
Serviço: 4,5 / 5
Pratos: 4,5 / 5
Sobremesa: 4 / 5

Nota Final: 8,5 em 10  – como sempre, vale a pena.

Preço: $$$ e 1/2

Gostei do Quadrucci, mais um do Leblon

Vai um pão quentinho?Se tem uma coisa que posso ser acusado é de favorecer determinado lugar. Não um restaurante, pois geralmente sou muito chato, mas o bairro do Leblon, no Rio. O Leblon não tem a badalação das ruas de Ipanema, mas tem um charme de bairro, de relacionamento bem legal. Só da Rua Dias Ferreira eu já escrevi umas cinco vezes aqui no blog (Sushi Leblon, Sawasdee, Manekineko, Zuca, …. Quadrucci agora).

O Quadrucci fica ao lado do Zuca (na esquina do Sushi Leblon), logo as comparações são inevitáveis. São dois restaurantes bem legais, agradáveis e com proposta e público bem parecidos. Fui no Quadrucci no último domingo, com o restaurante vazio, mas sem cara de desânimo.

Couvert simples, mas funcional, o pão integral quentinho foi uma boa entrada, sem exageros. Na hora de escolher os pratos, fiquei decepcionado com a falta de conhecimento sobre os pratos do garçom, que não sabia sugerir um prato, nem explicar os ingredientes. Ponto negativo. O atendimento, aliás, apesar de despreparado foi sempre atencioso.

Isso é um QuadrucciO cardápio é bem interessante, com opções clássicas italianas com boas opções de variações e algumas “invenções” interessantes. Fui no peito de marreco pq gosto de invenções e não me decepcionei. A carne estava muito boa, com bom molho e um suflê de couve flor muito saboroso. Na sobremesa, o mini fondue de chocolate é uma sugestão interessante, mostrando que um pouco de criatividade na hora do doce ajuda.

O Quadrucci, enfim, vale a pena, tem bom gosto e, ainda não tinha falado, um ótimo ambiente. Com alguns ajustes no staff, pode se tornar um campeão, mas já é uma boa opção de valor numa região cheia delas.

Notas:

Ambiente: 4/5
Serviço: 2,5/5
Pratos: 4/5
Sobremesa: 4/5

Nota Final: 7,3 –  pode ir sem medo

 Preço: $$$ e ½ / 5

Menu degusta…sono no Mok Sakebar

Na última quarta-feira o Mok Sakebar promoveu uma noite para comemorar o Dia do Sake (que seria no dia seguinte) com o renomado chef  Shin Koike, do Aizomê de São Paulo. A agradável casa da Dias Ferreira não estava lotada na “sessão” mais concorrida da noite, que começava às 22 horas, sinal que o preço de R$ 220 por pessoa não tinha sido bem digerido (ou divulgado?) para o paladar do carioca.

Noite de Shin Koike no Mok Sakebar
Noite de Shin Koike no Mok Sakebar

O menu começou com uma beringela frita com missô doce, uma entrada neutra, que não causa nenhuma comoção. Passamos então para uma outra entrada de ostra à milanesa, que começou a mostrar as habilidades do chef, seguida do excelente Unagui e foie gras grelhado, que para mim foi o melhor prato da noite. Nesse momento já era servido o primeiro sake premium da noite, uma excelente opção.

Depois disso foram servidos dois sashimis, igualmente ricos e bem preparados, mas a falta de preparação da casa para receber um evento daquele porte já se fazia evidente. Recebemos o segundo prato de sashimi antes do primeiro, o que causou o desconforto de ter que cobrar o garçom (“sabe aquele prato da mesa ao lado? pois é, eu não recebi…”). O tempo de espera entre os pratos estava muito alto, cerca de 30 minutos entre cada prato que se tornavam uma eternidade quando havia algum problema adicional no serviço.

Ambiente legal no Mok Sakebar
Ambiente legal no Mok Sakebar

Vieram os dois pratos principais, um namorado confit em azeite perfumado (excepcional) e  uma costeleta de cordeiro que, infelizmente, seja pelo sono ou pela falta de vontade com o serviço, ficou muito abaixo da proposta da noite. Os sushis foram servidos à 1 da manhã, quando já “acumulávamos” 3 horas de menu degustação. O sake não filtrado final foi o ponto alto das bebidas, mesmo com todas as excelentes opções de drinks que a casa proporciona (parabéns ao barman)

Sakê não filtrado pra ficar acordado (foto exemplo)
Sakê não filtrado pra ficar acordado (foto exemplo)

Tive que pedir um café para acompanhar a sobremesa e saí do Mok quase às 2 da manhã. Na mesa ao lado um casal quase dormiu no final. Na mesa grande na minha frente algumas reclamações, principalmente porque tinham pessoas mais velhas, que provavelmente não tem o mesmo saco que eu para esperar 4 horas por uma refeição completa. Mais uma vez, a certeza que o bom serviço ajuda muito na boa vontade com o paladar.

Falando em serviço, lembrei de uma história que li num livro do João Havelange sobre as Olimpíadas de 36 em Berlim (sim, as do nazismo). No dia da final do atletismo, Hitler entregou as medalhas na primeira competição do dia e foi alertado pelos organizadores da competição que não deveria entregar as medalhas, ou teria que fazê-lo para todos os atletas. Ele então parou de comparecer ao pódio olímpico e o evento foi conhecido pelo mundo como um caso flagrante do racismo do ditador contra os vencedores negros americanos. A história de cima serve pra ilustrar uma impressão de um leigo: o chef Shin Koike passou e conversou com várias mesas no local e deve ter ficado sem tempo para falar com todo mundo, até pelos atrasos nos pratos, mas não ter falado com todas as mesas (não passavam de 15) gerou comentários nos “excluídos”, um fato que poderia ter sido evitado. Eu mesmo queria perguntar pra ele várias coisas sobre os ingredientes e saí sem as informações. Fatos da vida, vamos às notas:

Notas:

Ambiente: 4/5
Serviço: 2/5 – sorry, mates
Pratos: 4/5
Sobremesa: 3/5

Nota Final: 6,5 – não valeu o preço.

 Preço: $$$$½ / 5 – caro.

Que pena, Manekineko!

Innovative Japanese Food
Innovative Japanese Food

Review de restaurante não é coisa científica. Somos injustos, parciais e levados pela emoção do momento para elogiar uma comida muito boa e pra criticar sem dó o trabalho de várias pessoas, que podem ter errado com 1% dos Clientes e vc, sádico crítico de restaurantes, era esse 1%.

Quando me mudei para o Rio no início do ano, comecei minha saga de pedir comida à noite quando dava preguiça ou vontade. Analisando várias opções de comida em casa, encontrei no Manekineko uma excelente opção. Estou falando da mais conhecida rede de restaurantes japoneses do Rio, com duas clássicas referências nas casas da Dias Ferreira (tem gente que vai achar que só falo dessa rua no blog) e outra também inesquecível na Cobal de Humaitá.

Well, well, well, honestamente o Manekineko é um dos poucos restaurantes no mundo que posso falar com muita propriedade. Calculei ter pedido mais ou menos umas 15 vezes no delivery e ido lá umas 10 vezes até hoje. Eles devem saber disso pq a administração do restaurante é impecável: os caras tem um sistema de recompensas e relacionamento que deveria ser copiado. A comida é consistente como deveria ser a de um restaurante japonês. É legal quando vc chega lá e eles te dão uma cortesia, cada dia um prato diferente pra vc experimentar. Nota 10 pros caras nisso.

Cool Food
Cool Food

Pratos diferentes, sistema de “rodízio” bem feito (os pratos vem numa ordem lógica, e não a bagunça dos restaurantes normalmente) e bom serviço completam tudo que vc precisa num restaurante. Acontece que nas últimas vezes que fui lá, algumas coisas começaram a me irritar. A falta de alguns itens do cardápio (até Guaraná Zero estava faltando no último domingo, às 19:46) e uma certa preguiça no serviço quando o horário não é de pico (contas que demoram 10 minutos pra chegar, esquecimentos de pedidos, etc.) eram coisas esperadas pra quem vai tanto no mesmo lugar. Cobrar à parte pq não comi 10 peças do sushi, após ter comido mais de 1.000 peças ao longo dos últimos 6 meses pra mim foi inadequado. O garçom ainda fez a “gentileza” de cobrar apenas 6 peças, mas o encanto do jantar já tinha passado nos segundos anteriores. Regras são regras e só quem sabe quando aplicá-las pode usar. Eu não estava pedindo milhões de sushis e sobrando tudo o que pedia, na nossa mesa devem ter sido consumidos umas 100 peças nesse dia, o que eles ganham cobrando 6?

mane0

Sou contra o desperdício de comida, não venham me acusar disso, mas é improvável que alguém acerte com 100% de certeza o que vai comer num rodízio. Ponto perdido pro restaurante, pq da próxima vez vou pedir e me divertir menos.

O que eu não esperava era uma surpresa que aconteceu num pedido do delivery, onde encontrei um cabelo no sushi. Não era ilusão de óptica nem um falso cabelo, foi falta de cuidado e higiene mesmo. O Manekineko ganhou muitos pontos comigo nos últimos meses, mas conseguiu pisar na bola duas vezes em pouco tempo e vou reconsiderar muito uma próxima visita.

Uma pena, pq eu sou chato, mas gostava muito de lá. Sem maiores emoções, seguem as notas:

Notas:

Ambiente: 4/5
Serviço: 2/5 – serviço de delivery incluído nessa nota.
Pratos: 4/5
Sobremesa: 4/5

Nota Final: 7 – poderia ser muito mais.

Preço: $$$$ / 5 – não é barato. E ainda me cobraram por estar sem muita fome.

Pq eu não amo o Sushi Leblon

sushi-leblon-rioO melhor sushi do Rio, o mais antigo, o mais amado, badalado e frequentado por 11 em cada 10 famosos da cidade e também pelos internacionais. Local de visitas ilustres como Tom Cruise durante sua estada no Rio, o Sushi Leblon é um caso de sucesso de restaurante carioca.

A Dias Ferreira só não é um dos motivos da badalação do Sushi Leblon pq o restaurante foi uma das causas para a rua ficar tão famosa. Numa esquina movimentada, ao lado de vários outros restaurantes consagrados da cidade, o Sushi Leblon se destaca pela entrada mais movimentada na rua.

O cardápio não se limita a um sushi bar normal, pratos quentes, exóticos e inclusive o Prato da Boa Lembrança estão no cardápio do conceituado lugar. Restaurante pequeno, deve ter uns 50 lugares e o sushibar é cheio de charme, só superado pelas mesas da varanda mais disputada da rua. As opções são bem interessantes, mas após alguns testes (fui lá umas 6 vezes, posso falar), pude constatar inconsistências no preparo e na qualidade da comida. Enquanto alguns pratos são inesquecíveis, outros mais parecem um complemento mal-feito para um cardápio que nem precisava ter tantas opções se fosse mais caprichado.

O serviço também é um caso a parte no Sushi Leblon. Ainda não sei se é acomodação ou atenção demasiada a alguns badalados de plantão, já saí extremamente satisfeito e também já não paguei o serviço duas vezes lá. Não sou chato, mas não gosto de esperar 10 minutos pra conseguir pedir algo ou 15 para a conta. Quando eu paro de comer, quero ir embora para casa, por melhor que seja o ambiente.

Ambiente nota 10.
Ambiente nota 10.

Uma estratégia de comunicação muito bem feita, site dos melhores (www.sushileblon.com) e capricho no ambiente não são tudo para se fazer um vencedor. Talvez pela inconsistência do lugar, o Sushi Leblon não tem, para mim, a melhor opção custo-benefício dos japas do Rio e não é a minha primeira opção. Uma pena, pq o lugar, sempre lotado, mostra que a casa tem o charme que falta a muitos excelentes restaurantes.

Notas:

Ambiente: 4,5/5
Serviço: 3/5
Pratos: 3,5/5
Sobremesa: 4/5

Nota Final: 7,5 – inconsistente.

Preço: $$$$½ / 5 – vc paga pelo ambiente e nem sempre tem o mesmo retorno.

Guia Rio: Zuca no Leblon

Zuca, do Leblon
Zuca, do Leblon

O Zuca, na Dias Ferreira, é uma das principais opções de uma rua cheia delas para boa comida.

Fui no restaurante no último domingo e pude reconhecer os pontos positivos que todos comentam e os detalhes que podem melhorar…
As mesinhas do fundo realmente não são boas, aliás vc deveria ganhar 20% de desconto por sentar no fundo, pq as mesas da frente, perto da movimentação da cozinha, são muito legais. A parede ao lado das pequenas mesas laterais (não são minúsculas, mas poderiam ser melhores) está suja. Alguém pode limpar, por favor? Beleza, cheguei e já perdi um pouco do tesão, mas a Experiência de Foie Gras de entrada poderia me animar um pouco… tá, foi legal, mas nenhuma experiência de outro mundo.
O serviço foi OK o tempo todo, mas tb o restaurante não estava cheio e isso facilita a vida de qualquer um. Os pratos, um risoto e a picanha, estavam muito bons, de fato. A sobremesa foi média e o Zuca é um lugar legal, mas falta um pouco de alma pro lugar e um algo mais na cozinha. Devo voltar, mas com a expectativa um pouco mais baixa.
Correção: Zuca, na verdade, se escreve com “k” (Zuka), mas talvez por esse erro mesmo, essa é a página mais visitada do blog, então vou deixar desse jeito, só com o registro de correção.

Notas:

Ambiente: 3/5 – eu fiquei no fundo, não me culpe
Serviço: 4/5
Pratos: 4/5
Sobremesa: 4/5

Nota Final: 7,5! – dá pra ir… é legal

 Preço: $$$$ / 5 – ligeiramente “overpriced” pq não tem nada de sensacional.